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Mochilar pela América Latina garante
aventura com baixo orçamento



Lorenzo Madalosso e Carlos Roberto passaram de moto pelo
deserto de sal; irmãos viajaram do Paraguai até o Alasca

Quando pensam em colocar uma mochila nas costas e conhecer o mundo, os jovens brasileiros geralmente têm um destino em mente: o continente europeu. Mas nossos vizinhos latino-americanos, com seus preços mais em conta, uma imagem mais aventureira e um território comum, estão começando a atrair os mochileiros nacionais cada vez mais.

José Eduardo Carvalho, 22, viajou neste ano por Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Bolívia.


"Enquanto gente de todos os cantos do mundo passa meses explorando esses países, o índice de brasileiros na América Latina, principalmente nos países andinos --ricos pela história, geografia e arqueologia-- é quase nulo. É uma pena."

O estudante Luiz Saibenberg Neto, 23, também optou por explorar a vizinhança em seu mochilão com os amigos. "Sempre tive vontade de conhecer o mundo, mas, com o dinheiro, a idade e a bagagem cultural que eu tinha, achei que a América do Sul seria mais acessível", explica.

A vontade de conhecer mais a fundo a cultura latina também contou na decisão de Luiz. "A realidade sociocultural da América Latina é muito omitida para nós", acredita. "Aqui só chegam a Shakira e o Ricky Martin..."

A viagem de Luiz pelos países hermanos começou no final de 2006 e acabou se prolongando por quase dois anos. No início, a idéia era percorrer o continente em uma Kombi com mais quatro amigos da república onde morava em Florianópolis. "Fomos dirigindo até a Argentina, mas, como a Kombi deu muitos problemas, decidimos vendê-la".

A partir daí, o grupo se separou, e Luiz resolveu continuar a exploração de bicicleta. Foi a bordo de magrelas que o estudante e mais um amigo fizeram a maior parte da jornada.

Para se manterem, fizeram shows de música e de malabarismo, além de terem trabalhado em um centro cultural na Bolívia e participado de um comercial de cerveja como figurantes no Peru. "O operador de câmera ficou tão empolgado com nossa viagem que pediu demissão e seguiu conosco durante uma parte do trajeto", conta Luiz. "Isso acontecia sempre: o grupo crescia ou diminuía conforme íamos seguindo."

Os irmãos Carlos Roberto e Lorenzo Madalosso, 27, não ficaram só na América espanhola. Dirigindo motocicletas, percorreram a América inteira, do Paraguai até o Alaska. "Queríamos sair da garagem de casa com a moto e pilotar até o ponto mais distante possível", explica Carlos Roberto.

Para ele, a maior riqueza da experiência está nos contrastes. "O que seria do deserto se não fossem as florestas tropicais? O que seriam das vilas de pescadores se não tivéssemos visitado metrópoles?", indaga. "As diferenças tornam a viagem espetacular."

Roubadas

Nem só de pores-do-sol à beira do lago Titicaca e de goles de pisco no Chile é feita uma expedição pela América Latina. Como todo viajante sabe, as roubadas fazem parte do pacote.

Carlos Roberto não se esqueceu da gororoba que teve que engolir enquanto velejava por cinco dias no mar do Caribe, indo de Cartagena, na Colômbia, até Portobelo, no Panamá. "O arroz com lentilha que prepararam no primeiro dia foi requentado varias vezes e, no último dia, era uma pasta verde e fria", conta. "Além disso, comer a bordo do veleiro deu ânsia de vômito."

Mas o pior perrengue da viagem quem passou foi seu irmão. "Ele estava de moto em uma estrada na Guatemala quando viu um cara vendendo um esquilo", relata.

"Aí parou para trocar uma idéia e tirar uma foto do bicho. Quando tirou a máquina do bolso, o cara puxou um facão e ameaçou atacá-lo". Sendo a venda de animais selvagens uma atividade proibida, o vendedor se sentiu ameaçado.

Felizmente, a história acabou bem. "O Lorenzo fugiu aos trancos num ziguezague pelo meio da estrada", conta.

Luiz teve sua bagagem roubada no Peru e na Colômbia. Mas, para ele, os maiores problemas foram causados por policiais. "A polícia de toda a América do Sul é muito corrupta", indigna-se.

"Na Argentina, fomos multados por excesso de velocidade dirigindo a 30 km/h! É claro que eles queriam suborno."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/
turismo/noticias/ult338u440175.shtml