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Amazônia tem turismo sustentável em área deconservação

 

Projeto realizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS)Uatumã, em meio à Amazônia, gera renda para as comunidades e mostra o potencial do chamado Turismo de Base Comunitária (TBC) em Unidades de Conservação.

RDS Uatumã / divulgação

Turismo de Base Comunitária (TBC) em Unidades de Conservação. O nome é comprido, mas a ideia é simples. Consiste em proporcionar para turistas a possibilidade de conhecer de perto a rotina de comunidades que vivem em unidades de conservação. Experiências no Brasil já se mostram bem-sucedidas, como a que está em andamento na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, localizada nos municípios de

São Sebastião Uatumã e Itapiranga, a 330 quilômetros de Manaus, em plena floresta amazônica. A implantação do TBC na RDS Uatumã é um projeto desenvolvido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), e teve início no ano de 2006. Por se tratar de um processo democrático, que depende do consentimento e participação das comunidades, e também de regras bem estabelecidas, as atividades só tiveram início em 2012. A publicação O Turismo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, com o relato da experiência e que pode servir de exemplo para outras inciativas, foi lançada no VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que aconteceu em Natal (RN), de 24 a 27 de setembro.

A RDS Uatumã possui mais de 400 mil hectares, nos quais vivem mais de 340 famílias, divididas em 20 comunidades. O visitante que optar pelo turismo na região pode fazer trilhas na serra, descansar nas praias do Rio Uatumã, participar de festas comunitárias, assistir a apresentações de lendas amazônicas, identificar pegadas de animais e ainda fazer pesca esportiva, entre outros entretenimentos.

A nova atividade está fomentando a economia da região e já proporciona complemento de renda para muitos moradores. “Temos seis comunidades envolvidas indiretamente com o turismo. São pessoas que cultivam frutas, pescam, ou realizam outros trabalhos que, com o turismo, ganharam mais mercado. Outras quatro comunidades estão envolvidas diretamente. Realizam os passeios e possuem até pousadas”, conta o secretário executivo do Idesam, Carlos Koury.

Um exemplo deste envolvimento direto é José Monteiro Ferreira, o Papa, que transformou sua casa, que conforme ele afirma “é grande e cabe umas dez pessoas”, em pousada para turistas. “Um dos primeiros grupos que recebi era de franceses. É muito interessante conhecer outras culturas. Quando sei que vai vir alguém, eu já estudo um pouco sobre o lugar de onde ela vem”, conta Papa. Ele e sua esposa se mantêm com extrativismo e agora ganham um extra com o turismo. O casal já recebeu em sua casa 24 pessoas desde o início do projeto.

Apesar de ser benéfico para as comunidades, o TBC é uma atividade que exige uma série de cuidados, para não impactar a região. “O turista quer ver a comunidade como ela é e como vive no cotidiano. Se as pessoas do lugar mudarem seus hábitos para apenas receber turistas, perde-se o propósito”, destaca Ana Gabriela Fontoura, especialista em turismo com experiência na área e coordenadora do Instituto Peabiru. Ao falar dos possíveis impactos, ela lembra um senhor do Maranhão, de quem ela conta ter ouvido que “ninguém pode esquecer o significado da palavra comunidade, que para mim quer dizer humanidade”.

Gabi, como prefere ser chamada, aponta que, para crescer e ganhar mais espaço no Brasil, o TBC precisa de uma maior comercialização. “Acredito que este é o grande gargalo. As pessoas precisam acreditar. Quando comecei ninguém acreditava que daria certo e já estou há cinco anos trabalhando com isso”, relata.

Ela ressalta ainda que a atividade não pode ser encarada como assistencialismo. “É, na verdade, um modelo de negócio rentável e que traz benefícios para todos”.

Fonte: Envolverde

 

 

 

 

 

 

 

 

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