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Rally dos Sertões: do perrengue das barracas ao luxo dos motorhomes

Enquanto competidores contam com estrutura privilegiada no evento, com cozinheiro e massagista, outros têm que lavar roupa e comer quentinha

O Rally dos Sertões é uma competição aberta tanto para pilotos de ponta como para aqueles que buscam espaço no mundo competitivo off-road. Para aguentar os dez dias e os 4.026 km de prova, os 221 participantes buscam o maior conforto e a melhor estrutura disponíveis. Só que nem todos têm acesso ao luxo que uma equipe de fábrica traz para seus competidores chegarem em Caucaia (CE) brigando pelo título.

Atuais campeões do Sertões, Guilherme Spinelli e Youssef Haddad desfrutam da melhor estrutura do rali. Na equipe de fábrica da Mitsubishi, os dois ficam instalados num motorhome, um ônibus ambulante que tem dois quartos com ar-codicionado, sala com sofá, banheiro com chuveiro e cozinha com geladeira, pia e uma máquina de lavar roupa externa. Só que eles não precisam botar a mão na massa. A equipe ainda conta com um caminhão para a alimentação, no qual um cozinheiro e dois ajudantes ficam responsáveis em preparar um vasto cardápido com diferentes receitas para as 45 pessoas, entre pilotos, mecânicos e ajudantes, nos dez dias de rali.

Spinelli e Youssef ainda recebem ajuda de um profissional em Quiropraxia, que se dedica ao tratamento de problemas do sistema músculo-esquelético com técnicas de terapia manual, exercícios e orientação postural. Ainda existem dois caminhões para a manutenção da mecânica dos carros, além de outros cinco carros de apoio.

- Isso faz a diferença. Você chega e pode tomar um banho tranquilo, recuperar suas energias e descansar. Na parte mecânica, tudo é bem organizado e pensado com antecedência - disse Spinelli.

O líder da competição entre os carros sabe bem da importância dessa estrutura, principalmente porque ele já esteve do outro lado.

- Em 1999, ainda não existia equipe de fábrica aqui no Brasil. Dormia em lugares sujos, já tomei banho num lugar que a água saía direto de uma caixa por uma calha. Comia o que tinha, sem saber de onde vinha. E isso pesava no meu desempenho - completou.

Os pilotos de moto da equipe Honda chilena estão sentindo isso na pele. Com uma estrutura básica, Felipe Prohens, Claudio Rodrigues e Daniel Gouet estão no lado perrengue do Rally dos Sertões. A equipe conta com uma van de manutenção e uma caminhonete de apoio. Os três chilenos dormem em barracas e contam com a ajuda de dois mecânicos, um chefe de equipe e um motorista que também ajuda como cozinheiro.

Cada um dos três teve de arrecadar 12 mil dólares com seus patrocinadores para usufruirem dessa simples estrutura.

- Estamos em uma equipe pequena. É tudo mais sacrificante. Tenho até que levar o meu macacão na mão e minha roupa todos os dias. Isso faz parte da aventura - disse Felipe, de 30 anos.

A comparação dos valores gastos entre uma equipe de carro e uma de moto chega a ser injusta. Para se ter uma ideia, uma equipe de carros, sem ser de fábrica, cobra 200 mil dólares para a dupla que quiser usar a sua estrutura.

- O volume de peça é maior. Por esses altos gastos, os grids entre os carros está cada vez menor no exterior, principalmente com crise mundial.

Fonte: globoesporte.com

 


 

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